A história do Movimento Punk no Mundo e no Brasil

Movimento Punk

A cultura punk nos EUA surgiu na década de 70, tendo como expoente a banda Ramones, uma banda de Rock com um estilo vestir diferente, usando jaquetas de couro estilo motociclista, camiseta branca, calça jeans, tênis, transparecendo uma aparência agressiva, rebeldia, com um estilo musical, moda, e gosto por artes bastante diferentes em comparação aos tradicionais daquela época.

O movimento punk surgiu como um contraponto da ideologia dos hippies, uma reação à não-violência e suas atitudes. Inicialmente era chamado de cultura punk, depois passou para movimento, e depois uma ideologia, onde os jovens seguiam o mesmo lado político, maneira de se vestir, gosto para música, cinema, artes e etc.

Início do Punk Rock

Punk Rock é um movimento musical e cultural que surgiu em meados da década de 1970 e que tem como características que abordem ideias políticas anarquistas, niilistas e revolucionárias. Também abordam em suas letras problemas sociais como o desemprego, a guerra, a violência e drogas; ou o contrário disto: temas como relacionamentos, diversão e sexo. O visual agressivo e rasgado, chocante, que foge dos padrões da moda e da sociabilização, a linguagem despudorada, a filosofia “faça-você-mesmo” (Do It Yourself em inglês, ou, numa sigla, DIY), a imagem “anti-ídolo” (inclusive sem ser obrigado a tocar corretamente seu instrumento) e atitudes destrutivas também são outras características do punk; embora nem todas as bandas sigam tal padrão.

1977: A explosão do Punk Rock inglês

1977 foi o ano mais marcante da história do Punk Rock. Saíram inúmeros compactos, surgiam inúmeras bandas (principalmente na Inglaterra e na Irlanda). Também foi o ano em que saiu o primeiro disco do The Clash (The Clash), Damned, Damned, Damned do The Damned, Spiral Scratch do Buzzcocks, Never Mind the Bollocks do Sex Pistols, Leave Home e Rocket to Russia dos Ramones (este último considerado por muitos o melhor disco dos Ramones, com a cover de “Surfin Bird” do Trashmen), Live Kicks (EP gravado ao vivo no The Roxy nightclub em 1977 e lançado em 1979) do U K Subs, Pink Flag do Wire, Rattus Norvergicus do Stranglers e vários outros discos marcantes na história do Punk.

Até mesmo bandas e artistas mais antigos do Rock se lançaram em alguns trabalhos: o Queen investiu no gênero, com a música

“Sheer Heart Attack”,

Queen – Sheer Heart Attack (Official Lyric Video)

do álbum de 1977 News of The World, ou os The Rolling Stones com a música

“Shattered”,

The Rolling Stones – Shattered (Live) HD

do álbum Some Girls. Por seu caráter de explosão, em 1978 o Punk estava “meio que saindo de moda”; mas isto não impediu em nada que ótimos álbuns fossem lançados e ótimas bandas surgissem. Deste ano são os clássicos Crossing the Red Sea with The Adverts dos Adverts, White Musicdo XTC e Germ Free Adolescents do X-Ray Spex.

Final da década de 1970 e início da década de 1980

Hardcore Punk

Ainda em 1978 e 1979 começavam a surgir bandas nos Estados Unidos que levavam o Punk Rock a um nível mais extremo. Faziam canções ainda mais rápidas, com acordes ainda mais básicos e atitudes mais extremas. Dessas bandas, podemos citar o Dead Kennedys, The Germs, Middle Class, Bad Brains, Black Flag (que mais tarde geraria o Circle Jerks, outra banda importantíssima para o Hardcore americano) e também o Minor Threat.

Literalmente o termo significa algo como “núcleo duro” mas, neste caso, seria mais adequada a tradução de algo como “casca grossa”. O termo já era usado para designar militantes agressivos, criminosos, ou qualquer versão mais extrema ou exagerada de algo e foi adotada por Punks como sinônimo de originalidade e radicalismo.

Ao decorrer da decade de 80 surgiram muitos subgêneros do movimento Punk como:

Hardcore Punk, Streetpunk/Oi!, Anarco Punk, Raw Punk, New Wave, Pós-Punk e Pop Punk.

Década de 1990: Pop Punk

O Pop Punk foi o principal responsável pelo sucesso e revivalismo do Punk Rock na década de 1990. As bandas da costa oeste americana tiveram incomparável sucesso comercial, tais como Green Day, The Offspring, Blink-182, e Sum 41.

A sonoridade do Pop Punk se caracteriza por uma batida de Punk Rock bem mais leve do que a original, contrabaixo com arranjo independente e guitarras em harmonia, com direito a solos curtos; porém seguindo regras musicais, campo harmônico, melodias agradáveis, entre outros. É um gênero muito polêmico.

As letras falam sobre namoro, decadência americana, país, governo, etc.

No visual do Pop Punk usa-se bastante calças folgadas, bermudas, camisas de malha, tênis, roupas da moda ou de marca, cabelo espetado ou careca, boné ou touca, piercings e tatuagens.

O sucesso comercial do estilo abriu várias portas para algumas bandas antigas de Punk Rock dos anos 1970 ou 1980 voltarem à atividade e foi um dos principais responsáveis pelo sucesso do estilo nessa época.

O movimento Punk no Brasil

O movimento Punk no Brasil surgiu no final da década de 1970.

O precursor foi o Guitarrista Douglas Viscaino, que fundou a banda Restos de Nada, primeira banda Punk brasileira em meados de 1978. Nessa época surgiu uma legião de bandas com o mesmo molde que juntas formaram o movimento Punk. Entre elas as bandas: AI-5, Condutores de Cadáver, Cólera, banda liderada pelo músico Redson Pozzi na cidade de São Paulo, Aborto Elétrico em Brasília.

Desde 1976 e 1977, alguns Roqueiros “mais antenados” já ouviam e tinham acesso aos discos dos Ramones, Sex Pistols, Clash e Stranglers, e também das bandas pré-Punk como o MC5 e os Stooges. Porém foi só em 1978 que começaram a surgir bandas e gangues Punks no Brasil. Os primeiros shows Punks iriam ocorrer apenas em 1979.

Durante o final da década de 1970, havia duas lojas que os Punks frequentavam e nas quais compravam seus discos: à Wop Bop e a Punk Rock Discos (do Fábio, da banda Olho Seco, e no lugar onde mais tarde foi construída a Galeria do Rock). Como a maioria dos discos era importada e muito cara, era extremamente difícil conseguir material das bandas. Isso motivava a troca de materiais por meio de fitas caseiras.

Um dos principais discos que influenciou o surgimento do Punk Rock no Brasil foi a coletânea da A Revista Pop Apresenta o Punk Rock, uma coletânea que continha 12 músicas de bandas como Sex Pistols, Ramones, Ultravox, London, Stinky Toys e outras. Os discos do Clash, dos Ramones e dos Sex Pistols também foram muito ouvidos, fora os discos do Stiff Little Fingers e do U K Subs, nos primórdios do movimento no Brasil. Nos anos 80, outras bandas como o Discharge, Exploited, Dead Kennedys e algumas bandas finlandesas como o Riistetyt e o Rattus ficaram bem populares e caíram no gosto da grande maioria dos Punks brasileiros.

O primeiro disco de Punk Rock a ser gravado aqui foi a coletânea Grito Suburbano, que reunia três bandas: Cólera, Olho Seco e Inocentes. Eram também para ter participado da coletânea a banda Anarkólatras e o AI-5, mas devido a alguns problemas na gravação essas bandas acabaram “ficando de fora”. A qualidade e a produção do disco é bem mediana, porém foi um disco corajoso, ousado e revolucionário para a época.

O primeiro disco Punk de apenas uma banda, foi o EP Violência e Sobrevivência, do Lixomania. Hoje em dia, esse álbum pode ser encontrado em vinil por preços absurdos, variando de 100 até 700 reais.

Nos anos 1980 o Punk explodiu no Brasil e surgiam inúmeras bandas em vários cantos do país, tanto no Rio Grande do Sul com Os Replicantes e Pupilas Dilatadas, no Nordeste com a banda Homicídio Cultural e também em São Paulo, ABC e Rio de Janeiro, com as bandas Hino Mortal, Garotos Podres e Ulster (ABC), Ratos de Porão, Psykóze, Excomungados e Fogo Cruzado (São Paulo), e no Rio de Janeiro Espermogramix.

Devido a grande violência e brigas geradas pelas gangues Punks, os jornais, noticiários e a mídia em geral começou a ver o movimento e os Punks com maus olhos, criando até mentiras que desmoralizaram o movimento. Isso fez com que a maior parte da população ter uma imagem errada dos Punks, e também os policias e militares terem atitudes mais radicais com os Punks e a repressão entre eles aumentou. Atualmente, devido uma série de ocorridos semelhantes, os Punks andam sofrendo uma série de “pequenos preconceitos”, por parte da grande parte da população e pelos jovens mais fechados.

O movimento Punk no Brasil seguiu firme e forte, mesmo com todas as dificuldades, e foi crescendo, e hoje praticamente todas cidades brasileiras tem uma cena Punk e o movimento brasileiro é considerado um dos maiores do mundo, com muitas bandas brasileiras indo tocar na Europa em festivais importantes.

A década de 90 foi de grande importância na cena Punk Brasileira em Minas Gerais. Surgem bandas como: Consciência Suburbana, Anti-Sistema Repressor e etc. Sem contar com a banda Attack Epileptico, que foi a primeira banda de Grindcore no Brasil e em São Paulo novas bandas com uma cara nova para o Punk brasileiro. Dentre essas bandas destacam-se nomes como Colisão Social, Autogestão, Herdeiros da Revolta, Fobia, Flicts, Menstruação Anarquica, todas formadas de 1995 para frente e juntamente com estas bandas outras bandas também se mantém firmes vindo dos anos 80 tais como DZK, Disritmia, a polêmica banda Excomungados e SubExistencia.

Extra

The Clash – London Calling (2013 remaster)

Fonte : Amino

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Autor: Portal do Rock

“Informação não é conhecimento. Conhecimento não é sabedoria. Sabedoria não é verdade. Verdade não é beleza. Beleza não é amor. Amor não é música. Música é o melhor.” Frank Zappa

9 comentários em “A história do Movimento Punk no Mundo e no Brasil”

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